A Bentley, depois que foi desmembrada da Rolls-Royce da qual fazia parte desde a década de 30, ficou devendo um modelo verdadeiramente desportivo. Da antiga "devoradora de expressos" com motores com quatro válvulas por cilindro só sobrou o nome, já que os modelos subseqüentes não passavam de versões mais joviais dos mais sisudos Rolls. Tanto que quando lançou o Continental GT, a marca declarou que o modelo representava o renascimento da Bentley como fabricante de carros luxuosos com alguma esportividade.
E ela aproveita o Salão de Paris para apresentar a versão 2011 do Continental GT e algumas novidades como câmbio com engates mais rápidos, um futuro V8 mais eficiente e multimídia com integração com o Google Maps.
“O novo GT coupé tem um alto quilate e está mais esportivo do que nunca. É um gran turismo 2+2 excepcionalmente refinado e confortável com o coração, a alma e a aparência de um supercarro", afirma o diretor de design Dirk van Braeckel. O desenho da carroceria é inspirado no Bentley R-Type produzido nos anos 50, e acredite, o blogueiro que escreve essas linhas gosta, e muito do resultado que combinou a dianteira já clássica do Continental com a traseira fastback do modelo clássico.
O interior não foi esquecido e ganhou algumas novidades como novo som desenhado especialmente para o modelo, mas o interior continua sendo confeccionado de modo artesanal para garantir a qualidade e refinamento que os quatro ocupantes sentirão ao embarcar no carro.
“O interior do novo GT coupé combina design, funcionalidade e inovação. Nossa tarefa consistiu em traduzir os planos de desenho originais para o habitáculo do carro, que eram bastante ousados, quase revolucionários para um Bentley, no desenho final. O resultado é um habitáculo que transporta o Continental GT para a próxima geração", explica animado Darren Day, designer senior da marca. Os primeiros modelos serão entregues em 2011 com preços a partir de 154 mil euros.
O interior do coupé 2+2 onde dois adultos viajam com conforto nos bancos dianteiros e mais dois viajam com algum desconforto atrás. Os bancos de couro tem desenho para poder segurar o corpo do ocupante durante as curvas mais fortes, e opcionalmente podem ter massageadores e sistema de climatização. Os cintos de segurança tem tensionamento elétrico para evitar os eventuais tranquinhos quando se coloca o mesmo.
O painel do Continental lembra vagamente as asas do brasão da Bentley e recebe acabamento em madeira de lei, couro fino (de qualidade, não espessura) e metais nobres. Vários porta-objetos como no console central que pode receber desde canetas, chaves e carteiras. A fábrica garante a qualidade da madeira de lei que recebeu tratamento anti-UV para não descolorar com o tempo e que não economizou no material fonoabsorvente.
O quadro de instrumentos que tem as funções básicas (velocímetro, conta-giros e indicadores de nível de combustível e de temperatura) e conta com uma tela com informações do computador de bordo e informações como temperatura externa, hodômetro parcial e marcha engatada. O acabamento refinado da marca está mais do que presente no acabamento e detalhes dos instrumentos.
O console central tem tela de tela de 8 polegadas sensível ao toque e compatível com o Google Maps (e esse blogueiro irá parar de chamar o Google Maps de "GPS" de pobre) e som Naim, com 11 autofalantes. O sistema tem HD de 30 gb e pode receber DVD com GPS e ainda pode localizar um destino por uma "tag" (informação) contida em uma foto, via cartão SD. Sim, tem DVD, TV digital, compatibilidade com I-Pod e reprodutores de MP3 e capacidade de armazenamento de 15 GB de músicas em formatos digitais.
A Bentley apresenta para Paris o conhecido W12 de 6 litros que agora rende 575 cv e 71,4 kgm/f de torque. Ele agora é flex, mas com o etanol E-85 (que recebe 15% de gasolina em sua composição para dispensar o tanquinho por razões de segurança) e gasolina sem chumbo tetraetila (anti-detonante usando em gasolinas de maior octanagem no exterior, sendo que aqui é substituído por álcool devido à sua toxicidade) em qualquer proporção.
Detalhes como os dois pares de faróis que agora incorporam as luzes diurnas em LED's e as lanternas traseiras de desenho tradicional da marca. Os escapamentos, um em cada lado assumem uma forma mais elíptica de forma a dar maior esportividade sem perder a elegância. Perfis de alumínio e aço mais finos garantem uma redução de peso de 65 quilos em relação ao modelo anterior, que continua com uma massa importante: 2.750 quilos.
Voltando ao motor, o W12 recebeu O carro recebe um novo câmbio ZF Quickshift de seis marchas que permite engates rápidos e dupla redução com aletas atrás do volante (tipo de 6ª para 4ª) para melhorar as retomadas. O carro está 65 quilo mais leve que o modelo do ano anterior e os turbos com baixa inércia e diminuição do atrito interno dos componentes do W12 são responsáveis pelo aumento de 15cv de potência e 5,1 kgm/f de torque.
A suspensão é pneumática com dianteira formada por um duplo triangulo e a traseira por multibraço com autonivelamento, e barra estabilizadora em ambos os eixos. Alguns componentes da suspensão são de alumínio. A tração é integral e permanente com distribuição de potência entre os eixos de 40 por cento na dianteira e 60 na traseira, de forma que em saída de curva é só apontar o carro e acelerar.
E para frear freios a disco ventilados com 405 mm de diâmetro na dianteira e 335 mm na traseira sendo opcionais os de carbono-cerâmicos de 420 e 356 na dianteira e traeira respectivamente. As rodas são de liga leve, a de série de 20 polegadas (9,5J x 20) e opcionalmente 3 modelos de 21 calçados (9,5J x 21) por pneus 275/40ZR 20 na roda de série e 275/35 ZR21 nos demais. E tem controle de tração, de frenagem e o restante da sopa de letrinhas.
O desempenho é superlativo como o carro: faz de 0-100 em 4,6 segundos e a máxima é de 318 km/h. Mas no consumo ele decepciona, somente 3,9 km/l em ciclo urbano e 8,77 em ciclo rodoviário pela norma EPA. Graças aos quatro comandos de cabeçote e as 48 válvulas que permitem o motor "respirar" melhor. E no final de 2011 virá um V-8 mais eficiente segundo a marca.
Não foi informado o combustível usado, já que ele pode receber o E85, e as emissões de CO² são extratosféricas, na casa dos 385 g/km. Um carro com baixas emissões fica na casa dos 99 km/l só de comparação, mas se o cliente usar só o E85 pode derrubar em 70% as emissões de CO², o que daria 115 g/km. Lembre que a cana "fixa" o CO² transformando-o em açúcar, que depois é transformado em etanol e depois para o tanque de combustível. Se fosse usado puro ou hidratado como aqui, ainda ia "fixar" 10% do solo ao consumo.

