Enquanto aqui no Brasil os legisladores e técnicos adoram legislar "nivelando por baixo". Assim não é necessário uma campanha de esclarecimento, afinal isso dá trabalho e tem custo e podemos arrecadar mais retendo os carros no pátio, emitindo altas multas, taxas e humilhar o cidadão que está tentando economizar algum troco.
Em alguns países da Europa como Alemanha e Itália, além do GNV (Gás Natural Veícular), é utilizado o GLP (Gás Liquefeito de Petróleo). Contra o GLP temos uma maior probabilidade de incêndio, já que basta uma fagulha ou um olhar enviesado para explodir. Outro motivo é que para facilitar a vida da dona de casa, o GLP é subsidiado e dessa forma os carros movidos a esse combustível são proibidos em caso clássico de cobertor curto, onde cobre-se um santo mas despe-se outro. Como vive escrevendo o colunista autoentusiasta Bob Sharp, vivemos uma maldição energética (veja o blog AutoEntusiastas na minha lista de blogs ao lado). Pelo menos se oferece o GNV que nada mais é que a mistura de propano 3%) mais metano (86%) e etano (10%) e outros gases em proporções ínfimas. Vantagem é que é menos incendiário que o GLP que é composto por butano e propano em proporções variáveis.
Discussões a parte, o récem lançado Polo (aqui) que tem uma variante esportiva (veja aqui) e uma aventureira (veja aqui) na Europa ganha uma versão bi-combustível denominada Bifuel. Só para esclarecer ele não é Flex, isto é, ele não admite mistura de diferentes combustíveis.
Diferenças externas é só na tampa do porta-malas que recebe o nome dessa versão e do indicador de nível de gás que também faz a troca de combustível. Igual ao Siena Tetrafuel vendido aqui, mas que usa GNV.
O carro ganha um bocal a mais adaptado para receber o combustível gasoso e o tanque de gás vai no lugar do estepe. E se furar um pneu há um kit de reparos que ocupa bem menos espaço no porta-malas.

O tanque para o gás tem capacidade para 52 litros e dá autonomia de 640 km segundo a Volks alemã com consumo médio (ciclo europeu) de 12,4 km/m³. Com tanque a gasolina de 45 litros e consumo de 16,4 km/l percorre 660 km, o que dá 1300 km com os dois tanques cheios.

Na Alemanha o preço do GLP fica em torno de 0,69 Euros (R$ 1,53 a cotação de ontem) e na Espanha 0,50 euros o m³, o que torna vantajoso financeiramente e sem o desempenho limitado do diesel. Só para comparação o custo para rodar 100 km com gasolina fica em 9 Euros e a gás um pouco mais de 5.

O motor é um 1.4l de 16 válvulas com 85 cv a gasolina e 83 a GLP. Outro motivo de se incentivar na Europa o GLP além do preço mais em conta está nos números de emissões de carbono, que usando gasolina fica em 146 g/km e a gás 132 g/km, 9% a menos de CO² emitido.

2 comentários:
Prezados Senhores,
O Projeto de Lei 6942/2010 tramita visando a utilização do biodisel em veiculso de passeios e de pequenas cargas, se a base deste projeto é a questao ambiental, o porque nao incluimos o GLP neste projeto? A ASMIRG-BR esta solicitando a atenção dos nossos Deputados Federais para esta inclusao tendo como exemplo a europa que utiliza o glp como energia ecologicamente correta, temos prefeituras de varios Estados que já utilizam clandestinamente o glp por ser uma fonte economica, temos tambem como base as projeções previstas tanto pela Petrobras ou ANP que teremos glp suficiente para o mercado e para exportar em menos de dois anos. A inclusao do GLP como fonte alternativa nao significa que todos veiculos irao utiliza-lo como fonte energica, sera mais uma opção dentre das existentes para um melhor atendimento da população brasileira. Esta não pode ser uma manifestação isolada, precisamos de todas as vozes para este vencer este desafio e convidamos a todos os amigos para essa união.
Cordialmente,
Alexandre Borjaili
Presidente
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Caro Alexandre,
Grato pela visita e pelo debate. Ratifico o que escrevi acima, o problema é legal, da mesma forma que o diesel também é proibido em veículos de passageiros. Teoricamente, o fato do GLP ser derivado de petróleo não o habilita a ser um combustível ecológico por vir de fonte não renovável mesmo reduzindo as emissões de CO² em 10%. O correto no caso, é incentivar o uso de gases resultantes de processos biológicos como biodigestores e aterros sanitários.
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