
Quem acompanha esse blog percebe que entra Salão e sai Salão de automóvel, sempre aparecem as propostas híbridas. Restritas aos médios mais plebeus e a utilitários, agora ganham cada vez mais terreno no segmento de alto luxo.
Um dos motivos é o fato que toda empresa sediada ou que comercializa em território europeu agora é responsável por todo o CO² emitido pelo veículo produzido por sua fábrica. E dá-lhe comprar grandes áreas, criar viveiros e estufas para plantar árvores e mostrar aos consumidores preocupados com o aquecimento global de que a empresa é "ambientalmente responsável".
Com as normas de emissões cada vez mais restritivas, muitos fabricantes de alto luxo estão lançando modelos híbridos, como a pioneira Lexus, seguida da Mercedes e agora Audi, Infiniti e Porsche.
Muita gente já sabe, mas vou explicar novamente e resumidamente o funcionamento de um híbrido paralelo, o mais comum: é um motor elétrico ligado ao diferencial que auxilia o motor a combustão nas arrancadas e retomadas, fator de maior gasto de combustível. Em casos mais usuais o motor elétrico atua em baixas velocidades. A vantagem é que o motor a combustão pode ter a sua faixa de cruzamento entre potência e torque mais "estreita" aumentando a sua eficiência e diminuindo consumo e emissões. E é comum os híbridos fazerem consumos melhores na cidade do que em estrada, quando o motor elétrico é mais atuante.
A pergunta é: híbridos de luxo combinam com consciência ambiental? Por incrível que pareça, um híbrido precisa de mais materiais e energia para ser produzido, o que o tornaria menos ecológico. E um de luxo consome mais materiais e energia ainda.
Outro fator que aponta um contrasenso é que para ser ecológico o dono precisa ter um certo desapego dos seus bens e evitar ao máximo o consumo compulsivo e individual. E os carros de luxo estão longe disso.
Na verdade, todos os projetos de mobilidade individual "verdes" apresentam acabamentos franciscanos, espaço interno ideal para anões, número de passageiros limitados e autonomia limitada. E isso pela falta de capacidade de desenvolverem seriamente algo que funcione adequadamente, que seja prático, que caiba uma família de classe média e as compras da semana ao mesmo tempo, que tenha autonomia para ir e voltar ao trabalho ou estação do metrô durante a semana sem reabastecer.
Como não conseguem, criticam o peso dos carros que cresceu graças aos reforços estruturais na carroceria e itens de segurança como air-bags. E é uma falta de responsabilidade de eco-engenheiros como Rui Négre (que tenta vender o seu carro movido a ar) comparar os carros atuais com carros mais antigos, que não ofereciam esses itens.
E o máximo de propostas funcionais que são oferecidas por ONG's como o Greenpeace são o radinho a manivela em que você recarrega a bateria girando a maldita durante uma hora para ouvir 10 minutos, baterias solares que recarregam parcialmente celulares durante horas e um monte de regrinhas estúpidas como tomar banho em 2 minutos para não gastar água.
E o pior é ver que as melhores soluções são feitas por gente séria ou visionários sem nenhuma intenção fazer alguma revolução contra "o sistema proprietário" e aparecem não no "Globo Ecologia" mas no "Globo Rural".
Se for levar em consideração que carros de alto luxo (voltando ao assunto) tem desempenho esportivo, e que o motor elétrico tem torque abundante a partir de 0 rpm (é isso mesmo, curiosamente o motor elétrico tem mais torque parado) e que isso é uma forma de se ter uma condução prazerosa e esportiva (apesar de dirigir ser um ato pecaminoso para muitos verdes) sem abrir mão da diminuição das emissões, acredito que não seja um contra-senso. É só a engenharia automotiva criando soluções para problemas criados pela chamada opinião pública...