Encerrando o especial de fim de ano Design Challenge, evento ocorrido na abertura do Salão de Los Angeles, vamos mostrar outro campeão do evento. Nesse caso é a cereja do bolo, o smart 454 WWT também preza um pouco de sobriedade. Nada de peças cultivadas organicamente, física quantica e outros delírios de designers ultramodernosos.
No caso desse concept da smart a inovação é o chassi (ou Tridion como a marca prefere) que é tricotado com fios de fibra de carbono. A vantagem desse método é que a peça é feita no tamanho exato e com resistência maior ainda, já que cada tipo de nó muda a característica da peça, que dependendo do lugar necessita de maior resistência ou flexibilidade sem desperdício de material e sem aumentar o peso.
Janelas, parachoques e outras peças são feitas de plástico reforçado de diversas cores e o teto é revestido de um tecido leve e resistente com diversas estampas e padronagens. E as rodas também abusam da fibra de carbono, que ao contrário dos pneus comuns, não furam, não murcham e não perdem a elasticidade. E a suspensão é integrada nas rodas.
E a proposta? Como se pode ver pelas imagens e no filminho abaixo é ser um buguinho para as horas de lazer.
O teto de tecido e as janelas podem ser retirados tornando o veículo mais divertido.
Ele pode ser facilmente personalizado ou modificado com a troca ou retirada de peças.
A mecânica pode ser facilmente retirada do veículo para reparos.
Penúltimo exemplar da série especial do concurso Design Challenge, o blogueiro preferiu deixar por último o chantili e a cereja do bolo, o Cadillac Aera é um exemplo de eficiência e leveza, além de ser um dos concepts mais sóbrios apresentados nessa edição. E acabou dividindo o prêmio dessa edição com o concept da smart, o 454 WWT. A carroceria é feita por painéis de ar comprimido com material semelhante ao usado nos absorvedores de choque usados no Mars Rover durante a sua aterrisagem no planeta vermelho. O polímero que reveste a carroceria substitui também os vidros usados nas janelas e contribui para a segurança passiva, já que também usa o processo de "bolha".
A estrutura poliédrica (se fugiu das aulas de geometria e educação artística veja aqui) da carroceria é baseada na estrutura das bolhas de ar e nos favos de insetos sociais como vespas e abelhas. Esse tipo de estrutura é leve e resistente, tanto que o peso total do veículo não ultrapassa os 454 quilos ou 1.000 libras propostos pelo desafio. A partir daí a carroceria é formada e os componentes "crescem" do chassi. O sistemas eletrônicos do veículo abusam dos sistemas sem fio para diminuir a massa de cabos elétricos e contribuir para dimunuir o peso do veículo.
A propulsão é feita por um sistema de acionamento pneumático que garante uma autonomia de 1.600 quilômetros ou 1.000 milhas graças ao tanque de alta capacidade capaz de suportar até 10.000 psi de pressão. As rodas são ligadas a um sistema integrado rotativo que integra tração, esterçamento e suspensão nos dois eixos. E para evitar qualquer eventualidade entre veículos o sistema V2V da GM que funciona de modo semelhante ao TCAS, mas sem sustos e nem mudanças bruscas de direção.
Abaixo das duas fotos, mais um vídeo gringo com mais detalhes do concept...
Aera é a junção das palavras inglesas Air e Era. Esse coupé 2+2 tem autonomia de mais de 1.600 km graças a um tanque de ar comprimido com capacidade para suportar 10.000 Psi de pressão.
A estrutura tubular peso-pena é formada a partir de uma única forma em 3D em um processo chamado quadro-formação e revestido por um polímerorecheado de ar comprimido que substitui as chapas e os vidros.
Um dos conceitos mais racionais do Design Challenge realizado no Salão de Los Angeles, mas nem por isso menos futurista que os outros conceitos que abusaram de tecnologias, assim por dizer, mais orgânicas. No caso do Volvo Air Motion, o meio de propulsão desse híbriodo é o ar altamente comprimido que aciona algumas turbinas que geram eletricidade para movimentar os motores elétricos do protótipo. E com uma vantagem, ao usar o ar comprimido, o motor esfria ao invés de esquentar como é comum em outras formas de propulsão.
A Volvo promete um desempenho com bastante adrenalina e nem um pingo de culpa ambiental, já que não emite sob nenhuma ciscunstância o tão temido CO². E nessa onda de sedans esportivos, o que importa é se divertir, o que fica melhor ainda se os amigos estão juntos.
Abaixo das imagens, mais um vídeo (também em inglês) com mais detalhes do Air Motion da Volvo.
O desenho que lembra e tem o tamanho de um monoposto de corrida tem lugar para 4 pessoas cujos pares de banco são invertidos, isto é, os passageiro traseiros sentam de costas em relação ao condutor e carona nos bancos dianteiros.
A carroceria é feita de fibra de carbono ultra-leve que garante que o peso fique abaixo dos 445 quilos ou mil libras. O desenho leve e suave tem as características típicas do design sueco da Volvo.
A suspensão integrada e outros componentes foram simplificados de forma a eliminar alguns milhares de peças que são comuns em carros populares. A simplificação e diminuição de peças também contribui para a "dieta".
Há um tanque de ar comprimido que suporta até mil libras de pressão, que pode ser abastecido em um compressor especial. O sistema elimina os pesados motores e contribui para aliviar o peso do protótipo.
Quem está acompanhando os conceitos que concorreram no Design Challenge realizado no Salão de Los Angeles viu que com rara excessões, a maioria dos concorrentes pretendem literalmente cultivar as carrocerias de seus modelos. Moldar, soldar e fundir está ficando demodê, e a Toyota seguiu à risca a cartilha da maioria dos concorrentes.
O concept propulsionado por quatro motores elétricos localizados em cada roda e com a bateria destacável recebe uma carroceria chamada PODULAR com partes em fibra de carbono revestida de bioplástico fabricado a partir de algas. A própria carroceria gera energia para o veículo, já que entre a trama de fibra de carbono e bioplástico estão inseridas células solares. E para garantir que o cultivo de partes das carrocerias não seja prejudicial ao meio ambiente, somente agricultores com certificação de plantio orgânico é que farão o manejo.
A carroceria foi projetada para evitar o problema de ter que ajustar ou adaptar a mecanica facilitando o planejamento de execução da montagem, e partes da mesma podem ser retiradas para caso o condutor e os três passageiros possam sentir o vento no rosto ou se proteger de algum clima ruim. A Toyota não deu detalhes se o concept será fabricado ou se o conceito em si será aproveitado em algum projeto futuro da marca.
A carroceria do NORI será cultivada em fazendas com certificação orgânica, isto é: sem uso de insumos artificiais.
Mais um concorrente do Design Challenge do Salão de Los Angeles, a Nissan apresentou o iV, que seria a visão da marca de um carro que seria fabricado em 2.035. Da mesma forma que alguns outros conceitos concorrentes anteriormente apresentados, a sua carroceria é feita também de componentes biológicos de origem vegetal. O diferencial é o sistema de tração, que além de ser integral, esterça as quatro rodas e ainda faz a função de suspensão. Como? Por meio da flutuação magnética, o "eixo" não entra em contato com a roda que recebe imãs permanentes e com a ausência de atritos de tração e de transmissão de força o carro está apto a alcançar altas velocidades com pouco gasto de energia.
Baseado no seu programa Eporo (veja aqui) que se baseia no comportamento de cardumes de peixes, o sistema de segurança Safety Shield™ permite que o veículo preveja eventualidades e evite acidentes independentemente da vontade do condutor. Por isso os designers da marca abriram mão de itens de segurança como para-choques, vigas e colunas de reforço estrutural e air-bags, diminuindo o peso final do veículo. E para armazenar a energia coletada de painéis solares espalhados nas janelas de bio-polímero há uma bio-bateria que em conjunto com um supercapacitor que recupera e armazena até 60% energia cinética obtida com as frenagens e que de outra forma seria desperdiçada. Orgulhosa por lançar o Leaf nesse ano que finda (agora aqui), a Nissan afirma o seu mantra com convicção: inovação pata todos!
E pra variar, depois das fotos outros dois videozinhos, não oficiais, em inglês do conceito.
A carroceria é composta por painéis vegetais unidos com cola derivada de teia de aranha que garante uma carroceria leve e super resistente.
A cabine tem espaço suficiente para quatro ocupantes usufruirem com bastante conforto e os parabrisas permitem a sensação de vento no rosto sem nenhuma abertura.
Segundo a Nissan, o conceito tem um bom desempenho com praticamente zero de culpa, já que a fabricação do carro não emite gás carbônico, o temível CO².
Os automóveis sempre foram apontados como vilões do meio ambiente, e às vezes com dados inflados por ONG´s verdes que responsabilizam os veículos por 90% das emissões de poluentes quando a média correta nos grandes centros é na casa dos 20%. Problemas causados por emissões de hidrocarbonetos e óxidos nitrosos responsáveis pela chuva ácida foram no mínimo esquecidos com a histérica caça ao CO², que apesar de não ser poluente, é tido como o novo catalizador para as alterações do clima.
E os governantes, sobretudo na Europa baixam medidas para obrigar os fabricantes a aumentar a eficiência de seus produtos. Uma delas é obrigar os fabricantes de produtos que emitem algum tipo de poluente a compensar as emissões que seriam geradas em toda a vida útil do produto. Um exemplo é a Peugeot que comprou uma área enorme situada no centro-oeste brasileiro, quase na divisa com a Amazônia Legal, para servir de sumidouro de CO² ao plantar árvores para compensar os seus mais de 3 milhões de veículos vendidos ao ano.
Mas um belo dia não haverá espaço para plantar tanta árvore e ainda não foi pensado algo que fizesse a fixação mais eficiente do CO² por meio industrial. Mas se em vez de se conformar, soldar, injetar ou usar algum outro método para produzir peças, pudéssemos plantá-las? E com o crescimento dessas peças o CO² fosse fixado? E acoplado a um motor que não emitisse, o veículo não gerasse, mas absorvesse CO²? A Mercedes pensou no carro conceito Biome cujo nome em português significa Bioma que explicando em miúdos para quem não sabe "ecologês" é uma área em que os seres vivos estão integrados em delicado um ciclo natural de sobrevivência.
As peças seriam fabricadas em biofibras que já cresceriam no formato final da peça, e de quebra iria fixar o CO² durante o seu desenvolvimento e liberar oxigênio no processo. E o material é mais leve e ao mesmo tempo mais resistente que o aço temperado. Outra vantagem do processo é que nas estufas em que as peças seriam cultivadas, haveria a absorção de parte do calor proveniente do Sol e assim ajuda a reduzir a temperatura ao redor da fábrica.
Cada peça é geneticamente modificada através do DNA por engenharia genética e cada peça cresce em um molde banhado em nutrientes especiais contidos em um bionectar, este produzido por árvores especiais que ainda gerariam energia para a planta fabril, para adquirir a forma final quando estiver pronta para ser colhida. Esse é mais um conceito "orgânico" que transforma o que seria um problema para o meio ambiente em uma solução para o futuro. E o ecossistema global agradece. Quando teremos o Biome ou um carro baseado nesse conceito ninguém sabe.
E no final das fotos o video completo (em inglês) do conceito...
O chassi é feito a partir de duas sementes que crescem até se fundirem e gerarem uma peça única.
Cada roda é cultivada separadamente a partir de uma semente cada, antes de ser integrada ao veículo.
E no final da vida útil do carro os componentes que são biodegradáveis podem virar compostos orgânicos ou serem reaproveitados na construção civil.
Li uma vez no Blog do Mulsanne (veja aqui) que a melhor forma de melhorar o desempenho, a estabilidade e a dinâmica de um veículo é reduzir o seu peso. Dos banhos ácidos aos materiais exóticos, a busca pelo menor peso sem abrir mão da resistência e durabilidade atravessou o século passado e se mostra cada vez mais imprescindível nesses tempos em que reduzir o consumo e emissões se torna algo cada vez mais exigido por governos, ong´s e por fim consumidores, mas sem abrir mão do desempenho. Nessa difícil equação em que nem sempre o que se ganha de um lado compensa as perdas do outro, a Mazda tem uma resposta: Zero.
A marca não informa o peso do conceito que dentre os apresentados é o mais sóbrio e viável, mas como a sua construção é feita a reduzir o número de componentes, que em um carro popular bem básico chega a algumas dezenas de milhares de peças, pretende reduzir a massa total do veículo. Com o alto torque instantâneo do motor elétrico que está disponível a 0 rpm, a marca espera uma dirigibilidade inacreditável em um carro de produção e um desempenho surpreendente. Por isso os engenheiros acham que vale a pena a busca pelo zero, já que zero massa é igual a velocidade máxima.
Segue abaixo das fotos um vídeo (em inglês) do conceito...
O MX-0 de lado mostra a suspensão traseira com menos componentes e que lembra o sistema monochoque típico de motos de trilha.
A marca viabilizar o MX-0 para 2020, acreditando que o uso intensivo de materais mais leves e resistentes tendem a cair com a fabricação em massa.
A marca pretende vender pelo menos meio milhão de unidades por ano do MX-0 ou do veículo de produção derivado desse estudo.
Quando os japoneses introduziram o riquixá por volta de 1870, eles não imaginavam o sucesso que esse tipo de veículo faria na Ásia. Usados como táxis de baixo custo, virou febre em vários países asiáticos. Mais tarde, vieram os ciclo-riquichás que na Europa e Cuba sobrevivem atualmente como táxis-ecológicos em pontos turísticos e após a Segunda Guerra Mundial vieram os auto-riquichás, que ganharam a fama por fazerem parte da paisagem dos grandes centros indianos. A fusão do ciclo-riquixá com o auto-riquixá é a proposta da Maibach para o desafio do Design Challenge de Los Angeles com o Den-Riki-Sha. Como um autentico riquixá, o motorista vai na parte da frente, onde fica os comandos do carro e um par de pedais que serão acionados pelos pés do mesmo para recarregar as baterias.
Há um computador de bordo que além de equilibrar o veículo utilizando acelerômetros do mesmo modo que os Segways e assemelhados (veja aqui o conceito P.U.M.A. feito em conjunto com a GM e o U3X da Honda aqui) ele conecta os usuários a uma rede que além de informar sobre o trânsito, mapeia os melhores destinos ou pontos de interesse na localidade em que o veículo se encontra. E o interior desse riquixá futurista não fugirá do exigente padrão de qualidade e luxo exibido nos carros da marca.
A proposta de construção da carroceria é a partir de um casulo que seria desenhado a partir de um DNA geneticamente modificado e que seria cultivado utilizando engenharia e bio-mecânicas avançadas chamadas MNV (Naturally Manufactured Vehicle ou Veículo Manufaturado Naturalmente). Então esqueçamos tudo o que nós sabemos sobre "design orgânico" e pode se acostumar com a idéia de ter um biólogo, um bioquímico e um bio-engenheiro nos setores de fabricação dos veículos...
Abaixo das imagens um filmezinho com detalhes (em inglês) do concept...
O híbrido humano-elétrico tem um computador que equilibra o carro nas duas rodas, semelhante ao Segway
Os motores elétricos ficam um em cada roda de desenho orbital e as baterias podem ser recarregadas por um pedal na cabine do condutor.
Dentro da proposta de fazer um carro com 454 quilos, ou 1.000 libras para quem não usa sistema métrico, a Honda apresenta o Air. O carro dispensa a capota para que os quatro ocupantes, condutor incluso, aproveitem a brisa do mar, já que a proposta do carro é de ser um "cruzador costeiro". Os pneus são de uretano e para diminuir ainda mais o peso que chega a impressionantes 362 kg (lembra do L1? Veja aqui e o antecessor 1 Litre Concept aqui) os cubos e o sistema de transmissão são minimizados para diminuir o peso flutuante. Os bancos são confeccionados em fibra de vidro e a carroceria tem resistência para proteger os ocupantes em alguma eventualidade. A propulsão é a ar comprimido que dá uma autonomia de 160 quilômetros e o tanque de ar comprimido, que na verdade é a estrutura tubular do chassis, pode ser abastecido com um desses calibradores de pneus comuns em postos de gasolina ou por um compressor doméstico comum e quem sabe futuramente energizado por uma célula fotovoltaica (painel solar se preferir). Essa é a proposta da Honda de um carro sem emissões de poluentes.
Abaixo das imagens um vídeo (em inglês infelizmente) do concept.
A carroceria aberta recebe painéis de polímeros vegetais e ganha um desenho inspirado em algumas das mais modernas montanhas-russas.
O tanque é na estrutura tubular do chassi, que também recebe os outros componentes como cockpit e carroceria egarante 160 km de autonomia.
Voltando das minha merecidas férias, farei um especial com o Design Challenge, evento ocorrido no Salão de Los Angeles que encerrou nesse fim de novembro. Nessa edição os organizadores convidaram a sueca Volvo e a alemã Mercedes, sendo que tradicionalmente o concurso só era aberto para quem tinha centro de estudos de design sediadas nos EUA. Outra novidade é a inclusão de um desafio, que nesse ano limitou o peso dos projetos em 1000 libras ou 454 quilos sem afetar o desempenho, conforto e a segurança de seus quatro ocupantes. Como o objetivo da prova é soltar a imaginação e ser bem criativo, os estúdios participantes repensaram até na maneira de produzir esses veículos, já que metais e outros compostos comuns usados na confecção de carros foram substituídos por materiais alternativos e de montagem e confecções diferenciadas e inusitadas. Inclusive alguns conceitos levam ao extremo o termo "orgânico" já que suas peças são cultivadas, e não moldadas, prensadas, soldadas ou outro tipo de conformação mecânica. Espero que divirtam-se continuem prestigiando o blog no próximo ano.
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Caros leitores, enquanto o novo host de imagens estiver passando por uma reformulação, postarei provisoriamente as imagens em alta no Photobucket até o atual host voltar. Agradacemos a compreensão.