segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Moto não é solução para o transporte

Foto: Rob Bouwman - SXCEu não tenho nada contra motos. Mas essa campanha de demonização do automóvel como meio de transporte individual já ultrapassa o limite do aceitável. Nesse último domingo foi mostrado no programa "Momento Moto", apresentada pelo apresentador "joinha" Dinno Benzatti e transmitido em rede nacional pela CNT, uma matéria sobre motos como solução para o meio de transporte.
As razões alegadas são o baixo peso do veículo, a praticidade e o custo de rodagem.
Não foi apresentado os contras, o que por si só já compromete a integridade da matéria.
Vou apresentar algumas razões do porque as motos não são adequadas como meio de transporte e rebater as besteiras que o apresentador explanou:
Segurança: Em nenhum momento o apresentador falou de segurança. Inclusive ressaltou o fato que o os carros são pesados, e adivinhe porque? Enquanto só a peso-pesado Honda Goldwing tem air-bags, somente agora as motos de 300 cilindradas receberam ABS e só algumas das mais caras ganharam sistema de distribuição da força de frenagem. Houve um projeto de air-bag que era usado como colete para o motociclista mas a proposta não saiu do papel. Outro fracasso foi o projeto C1 da BMW que tinha uma "gaiola" e um cinto de segurança de 4 pontos para garantir a integridade do piloto. E 95% das motos rodantes tem menos de 150 cilindradas e a única prevenção de segurança é o capacete que o piloto às vezes ganha quando compra uma nova. E a maioria dos pilotos não usa uma jaqueta de couro e nem calças com joelheiras e o resultado são escoriações, fraturas e às vezes amputação. Tem o fato de que o asfalto se torna escorregadio quando cai uma garoa ou se derrama algum tipo de óleo , e aí entra a regra de ouro da pilotagem motociclística: perdeu a roda dianteira, amigo, é chão na certa. Os carros compactos engordaram 20% de seu peso em 30 anos devido à mudanças de projeto como as células de sobrevivência, zonas deformáveis, inclusão de itens de segurança como air-bags, barras de segurança laterais, dentre outros.
Outra questão é que países como Camboja, Vietnã, Tailândia (que inclusive é o maior fabricante de motos do mundo) só para citar os que tem a maior quantidade de motos nas ruas, já tem uma cultura motociclística e um modo de condução semelhante a um cardume que o projeto Eporo da Nissan quer reproduzir. Isto é, não tem os "cachorros loucos" que quebram os retrovisores e usam covardemente a agilidade da moto e o capacete para garantir o anonimato e impor o seu modo de condução nas ruas. Eles são especialistas em entrar nos pontos cegos e se aproximam demasiado dos carros da frente e tornam os motoristas e até outros motociclistas reféns das suas treslouquices. Já testemunhei acidentes com esse tipo de piloto. Um deles foi em uma rotatória em que uma motociclista com uma criança na garupa vindo de uma avenida parou, já que a preferência é de quem vem pela rotatória. Um "cachorro louco" simplesmente atropelou a mulher que perdeu o controle da moto e foi parar em cima da calçada e a criança caiu no chão, vítima do impacto no choque e da pancada que a moto sofreu ao subir na calçada. Estava em um ônibus, e não pude saber maiores detalhes. Só para constar, a maioria dos médicos que trabalham em emergências e ambulâncias do SAMU ou Resgate estimam uns 100 acidentes todos os dias envolvendo motos só na cidade de São Paulo.
Outro ponto que não foi discutido é que 95% das motos não tem injeção eletrônica e outros meios de controle de emissões como catalizadores. É meu amigo, um carro polui cem vezes menos porque não anda tanto quanto uma moto e é sujeito a um controle mais rígido de emissões, inclusive com as obrigatórias inspeções veiculares que serão obrigatórias em capitais de todo o país. Enquanto a maioria dos projetos de motores automotivos vendidos aqui vem de países do velho mundo que são extremamente exigentes no controle de emissões e eficiência energética, a maioria dos projetos de motos populares tem projetos de 40 anos ou mais praticamente inalterados, ou vindo de lugares em que a preocupação ambiental ou de saúde pública é mínima ou praticamente inexistente. Só esse ano é que foi instituído o Promot, que são as normas de controle de emissões para motocicletas, o que obrigou os fabricantes a instalar injeção eletrônica, mais eficiente no controle do consumo e emissões, ou pelo menos um catalisador caso mantivesse o velho carburador. Mas conhecendo o "jeitinho brasileiro", o que vai ter de gente retirando a injeção eletrônica e o catalisador para ganhar alguma potência não vai estar escrito. E não haverá fiscalização nenhuma. Por isso acho uma tremenda besteira eco-chata quando afirmam que os carros são responsáveis por 90% da poluição nos grandes centros e que são responsáveis por "X" mortes por dia por doenças relacionadas à poluição.
Quanto ao custo de rodagem, sim, é imbatível. Mas fazendo as contas, quem vai da casa para o trabalho e vice-versa em uma distância de 8 quilômetros terá um custo de 29 centavos o quilômetro de ônibus (passagem a R$ 2,30), de moto de 7 centavos, mas que pode subir para 20 caso tenha que pagar o estacionamento. Só que o seguro obrigatório custa na casa do 260 reais, contra 94 reais e quem vai ao trabalho de ônibus normalmente utiliza o vale-transporte que barateia a passagem. Último argumento: Nenhuma proteção contra o clima, a não ser que você tenha um macacão completo ou uma capa de chuva. Ventos laterais imprevistos típicos de chuvas de verão e ondas causadas por passagem de veículos pesados em alagamentos serão o suficientes para provocar uma queda. Mas reafirmo, não tenho nada contra motos, só contra a falácia desse programa de tv que fez uma matéria tendenciosa e incompleta.

1 comentários:

Anônimo disse...

Porcaria de matéria, pra falar a verdade, nem matéria é. Não passa de uma opnião de alguém pouco informada do assunto.
Falar que tem gente que tira injeção eletrônica e catalisador da moto é uma besteira absurda.
Moto é sem dúvida uma solução para o transporte sim. Bem melhor andar de moto do que esperar transporte coletivo que é caro ou ainda gastar muito combustível e manutenção em carro e ainda ficar parado no trânsito.
As reportagens do Dinho Benzatti são muito bacanas. O cara é fanático por motos as mostra de forma que tbm criam um fanatismo pois hoje tem motos com cada vez mais tecnologia.