terça-feira, 20 de julho de 2010

Murray T.25: Depois do supercarro revolucionário, o minicarro que pretende mudar o mundo

Gordon Murray é um gênio irriquieto. Da bem-sucedida carreira na Fórmula 1 ao superdesportivo MacLaren F1, sempre houve inovações e peculiaridades, como a posição de dirigir central. Aliás, o F1 (veja aqui) é a sua obra prima, o seu trabalho de autor. Depois veio a SLR McLaren, mas aí ele teve que atender as diretrizes da Mercedes. Não que o carro tenha saído ruim, mas poderia ter sido superior ao F1, e no final acabou sendo mais um superdesportivo da Mercedes, o que o joga na vala comum dos carros de sonhos da casa de Stuttgart.
Agora com a Europa e EU querendo diminuir sua dependência de petróleo, que é caro, sujo e poluidor, e querendo descongestionar as cidades, já que a maioria dos carros tem mais ou menos 6 m² de área e só o condutor dirigindo, o que daria para levar 30 pessoas em um ônibus. Várias propostas de mobilidade urbana para quem não quer ou pode andar de ônibus por causa do número de deslocamentos como profissionais liberais ou estudantes apareceram aqui no blog como o Landcruiser (aqui) e o Eporo (e aqui) pela Nissan, o Segway da GM EN-V (veja aqui), o 3RC da Honda (agora aqui), o conceito da Rinspeed o UC? (também aqui) além dos BMW SIMPLE e CLEVER (e aqui) e o confirmadíssimo Twizzi da Renault (agora aqui e também aqui).
Depois do supercarro revolucionário, Gordon Murray propõe agora um meio termo. O seu T.25 (a gasolina) ou T.27 (elétrico) é um micro carro que realmente justifica a categoria que atualmente está pesada e inchada. Mais curto e mais estreito que o smart, leva um passageiro a mais e ainda tem um espaço de carga para levar pequenas bagagens. E o Gordon ainda promete que o sistema de fabricação dele, tanto em versão a gasolina quanto a elétrica que poderão ser feitas na mesma linha de montagem, será mais fácil, rápido e econômico, sem contar que ocupará bem menos espaço, algo em torno de 20%, que uma instalação automobilística atual.
Gordon Murray, diretor executivo de Gordon Murray Design, afirma: "A tecnologia Strategy Board foi extremamente favorável ao programa T.27 e juntos, estamos trabalhando para manter isso no Reino Unido. É uma grande oportunidade de trabalhar com a Zytek Automotive e outros parceiros nossos neste projeto muito excitante. Nós sempre nos esforçamos para liderar as tendências no design automotivo e a nossa meta atual é maximizar a eficiência dos veículos eléctricos ".
Bill Gibson, presidente da Zytek Automotive disse que "o inovador do powertrain Zytek, desenvolvido a partir de nossa experiência substancial em EV (Eletric Vehicle ou Veículos Elétricos) e em programas de produção de veículos híbridos, irá reduzir substancialmente o peso e custo do motor elétrico, enquanto entrega a qualidade, requinte e experiência de condução que os clientes do T.27 exigem. "
E para finalizar, Iain Gray, diretor executivo de Estratégia de Tecnologia da Câmara afirma:
"Este é outro exemplo do posicionamento do próprio Reino Unido a se beneficiar das oportunidades econômicas oferecidas pelos mercados de carbono emergentes. Estes veículos de baixas emissões de carbono. E isso é maravilhoso, o T.27, é um exemplo fantástico de engenharia inteligente e de design sustentável, e está na vanguarda disso. Nós também estamos felizes que fomos capazes de apoiar um projeto que permitiu a Gordon Murray Design e a Zytek Automotive e os outros parceiros a trabalharem juntos para serem verdadeiramente inovadores. ". Há rumores de que Eike Batista está interessado no projeto e pretende produzi-lo no Brasil.
Depois que saiu da McLaren, Gordon Murray fundou o seu próprio centro de design em 2007, de onde desenvolveu o T.25 e o T.27. Promete construir uma fábrica que irá empregar mais de 6.000 pessoas para produzir o T.25/27 e que será ambientalmente sustentável.
Comparativo de tamanho: Um Golf Mk IV, um 500, um T.25/27, um smart e um Mini e ao centro um modelo com dimensões finais do carro de produção. Os carros urbanos estão inchando e engordando cada vez mais.

A disposição de lugares que Murray batizou de i-Centre, permite levar três pessoas e 160l de capacidade de carga ou só o motorista e 750l e que permite seis tipos de configurações diferentes em 20 segundos. E permite um melhor espaço para as pernas dos passageiros que muitos carros da categoria B como o Fit.
Esse é o esquema mecânico do T.25/27 em que os componentes mecânicos ocupam um sanduíche embaixo do assoalho e significa centro de gravidade mais baixo e melhor aproveitamento do espaço. E a cabine tem uma célula de sobrevivência superior em carros de sua categoria além dos equipamentos de segurança ativa e passiva.
Se aqui pudesse estacionar de frente para a calçada, o T.25/27 poderia ocupar um terço do espaço que um carro médio/médio grande ocupa para estacionar nas ruas. Afinal são 2.5 metros de comprimento e 1.3 de largura e raio de curva de apenas 6 metros. Um carro normal mal vira em 11m. E o espaço está cada vez mais escasso nas grandes cidades.
Segundo Gordon Murray a posição central é ideal para o prazer de dirigir, apesar de dirigi-lo ser bem mais simples que um carro comum, já que há somente dois pedais e a alavanca da "caixa" de marchas tem somente as posições "Drive", "Ré" e "Neutro", o painel vem completo na versão a gasolina e um pouco mais simplificado na elétrica.
A versão elétrica pesa 680 kg e tem um desempenho bom para a categoria: 0-100 km/h em 15 s (tem nacional 1.0 que não faz isso) e máxima de 105 km/h. E segundo o Gordon o carro usando somente a energia elétrica vindo de fontes como termoelétricas a carvão comuns na Europa emite de 28 a 48 g/km de CO², enquanto um elétrico convencional emite 195 g/km.

O desempenho do motor a gasolina deverá ser um pouco melhor que o elétrico devido a baixo peso: 550 kg. E os indicadores de direção em posição mais alta junto com os espelhos mais próximos da carroceria evitam acidentes com motoboys. A cabine basculante facilita o acesso ao interior do veículo, o problema é as intempéries.

2 comentários:

Andre disse...

Apóio todos os elétricos e esse tem muitos elementos pro futuro. Compacto, não poluente e agil. Quero um desse.

1k2 disse...

Talvez aqui no Brasil essa alternativa demore mais, já que o governo federal vê o carro elétrico como uma ameaça ao programa do Etanol Brasileiro, outra commodity que eles estão tentando vender no exterior aproveitando a onda de caça aos emissores de CO². Uma possibilidade por aqui aventada pelo pessoal Da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) da são os carros a célula de combustível ou de autonomia extendida movidos à etanol.
(veja o link aqui: http://www.abve.org.br/destaques/2010/destaque10012.asp)