Apesar de gostarmos de automóveis sabemos dos males que indiretamente causam, como poluição ambiental e sonora. Mas agora que o automóvel está na mira de ambientalistas, urbanistas, sociólogos e intelectuais que tiveram um post de Che Guevara no quarto durante a juventude como um dos principais causadores do chamado aquecimento global, as indústrias fabricantes de automóveis tomam iniciativas para mudar o seu produto.
Um dos focos é a mudança da fonte de energia, substituindo combustível fóssil por biocombustível, hidrogênio e numa volta as origens, a eletricidade.
No fim do século XIX e começo do século XX os combustíveis fósseis disputavam a preferência do consumidor com a eletricidade e o vapor como fonte de energia para a então "carruagem sem carroça". O carro movido a vapor, pioneirismo de Nicolas Joseph Cugnot no longínquo ano de 1792 conseguiu sobreviver até 1940. A demora na partida e o alto consumo de combustível que obrigava a freqüentes paradas foram determinantes para a extinção desse tipo de veículo, mais conhecido por mover locomotivas (maria-fumaça).
Os elétricos eram outra opção disponível desde 1838 inglês quando o inventor escocês Robert Davidson inventou um veículo equipado combaterias rústicas de ferro e zinco. Houve até um veículo desse tipo projetado por Ferdinand Porsche, ele mesmo, o "pai"do Fusca e da Porsche. Mas as pesadas baterias e a baixa autonomia o restringiram para bondes, trólebus e mais uma vez trens, que as substituíam por cabos aéreos mas limitando o itinerário.
E o porque da preferência por motores a gasolina? Apesar de ser, na época, um motor muito primitivo e pouco desenvolvido, já que o motor a combustão interna desenvolvido pelo engenheiro alemão Nikolaus August Otto em 1876 só foi equipar o primeiro carro a motor que ganhou as ruas em 1886 e a moto um ano antes graças ao engenheiro Gottlieb Wilhelm Daimler, ganhou a preferência do consumidor por ser largamente utilizado na primeira guerra mundial. Durante a guerra era o combustível que movia tanques, caminhões e aviões. A sua boa autonomia e o seu rápido desenvolvimento foram determinantes para que se tornasse preferência quase unânime do mercado, mesmo com o advento do diesel alguns anos depois.
Agora o motor de combustão interna pode agora estar em seu declínio. Mesmo com os biocombustíveis que agora são acusados de aumentar o preço dos alimentos (nos EUA) e de ocupar terras que deveriam ser usadas para cultivar alimentos, o que pode dificultar a sua aceitação em vários lugares apesar de sua boa fixação de CO². Apesar das pesquisas para desenvolver outros meios de se obter biocombustíveis como algas, hidrólise de celulose, que ainda não são economicamente viável.
E agora o mundo volta para o carro elétrico, que já começa superar a barreira da autonomia e peso, com baterias cada vez mais leves e mais potentes e formas limpas de energia como a eólica e solar um pouco mais acessíveis. E ainda há os carros que usam pilhas de combustíveis a hidrogênio, que também não é economicamente viável ainda.
Iniciativas como a da prefeitura de São Paulo e o Grupo Renault Nissan (aqui) e algumas (boas) idéias como o da Rinspeed UC (veja aqui e foto acima que ilustra esse post) e outras iniciativas como bolsões de estacionamento em estações de metrô (já implantado em algumas delas) e aluguel de veículos fazem parte de políticas alternativas de mobilidade. Outras mais restritivas como o famigerado rodízio, o pedágio urbano (implantado em Londres) e impostos "verdes" que penalizam veículo poluidores indicam que o carro elétrico pode, ao poucos, substituir o carro a combustão interna como meio de locomoção individual e coletivo no dia-a-dia.

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