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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Prefeituras serão decisivas na viabilização do carro elétrico


Apesar de gostarmos de automóveis sabemos dos males que indiretamente causam, como poluição ambiental e sonora. Mas agora que o automóvel está na mira de ambientalistas, urbanistas, sociólogos e intelectuais que tiveram um post de Che Guevara no quarto durante a juventude como um dos principais causadores do chamado aquecimento global, as indústrias fabricantes de automóveis tomam iniciativas para mudar o seu produto.
Um dos focos é a mudança da fonte de energia, substituindo combustível fóssil por biocombustível, hidrogênio e numa volta as origens, a eletricidade.
No fim do século XIX e começo do século XX os combustíveis fósseis disputavam a preferência do consumidor com a eletricidade e o vapor como fonte de energia para a então "carruagem sem carroça". O carro movido a vapor, pioneirismo de Nicolas Joseph Cugnot no longínquo ano de 1792 conseguiu sobreviver até 1940. A demora na partida e o alto consumo de combustível que obrigava a freqüentes paradas foram determinantes para a extinção desse tipo de veículo, mais conhecido por mover locomotivas (maria-fumaça).
Os elétricos eram outra opção disponível desde 1838 inglês quando o inventor escocês Robert Davidson inventou um veículo equipado combaterias rústicas de ferro e zinco. Houve até um veículo desse tipo projetado por Ferdinand Porsche, ele mesmo, o "pai"do Fusca e da Porsche. Mas as pesadas baterias e a baixa autonomia o restringiram para bondes, trólebus e mais uma vez trens, que as substituíam por cabos aéreos mas limitando o itinerário.
E o porque da preferência por motores a gasolina? Apesar de ser, na época, um motor muito primitivo e pouco desenvolvido, já que o motor a combustão interna desenvolvido pelo engenheiro alemão Nikolaus August Otto em 1876 só foi equipar o primeiro carro a motor que ganhou as ruas em 1886 e a moto um ano antes graças ao engenheiro Gottlieb Wilhelm Daimler, ganhou a preferência do consumidor por ser largamente utilizado na primeira guerra mundial. Durante a guerra era o combustível que movia tanques, caminhões e aviões. A sua boa autonomia e o seu rápido desenvolvimento foram determinantes para que se tornasse preferência quase unânime do mercado, mesmo com o advento do diesel alguns anos depois.
Agora o motor de combustão interna pode agora estar em seu declínio. Mesmo com os biocombustíveis que agora são acusados de aumentar o preço dos alimentos (nos EUA) e de ocupar terras que deveriam ser usadas para cultivar alimentos, o que pode dificultar a sua aceitação em vários lugares apesar de sua boa fixação de CO². Apesar das pesquisas para desenvolver outros meios de se obter biocombustíveis como algas, hidrólise de celulose, que ainda não são economicamente viável.
E agora o mundo volta para o carro elétrico, que já começa superar a barreira da autonomia e peso, com baterias cada vez mais leves e mais potentes e formas limpas de energia como a eólica e solar um pouco mais acessíveis. E ainda há os carros que usam pilhas de combustíveis a hidrogênio, que também não é economicamente viável ainda.
Iniciativas como a da prefeitura de São Paulo e o Grupo Renault Nissan (aqui) e algumas (boas) idéias como o da Rinspeed UC (veja aqui e foto acima que ilustra esse post) e outras iniciativas como bolsões de estacionamento em estações de metrô (já implantado em algumas delas) e aluguel de veículos fazem parte de políticas alternativas de mobilidade. Outras mais restritivas como o famigerado rodízio, o pedágio urbano (implantado em Londres) e impostos "verdes" que penalizam veículo poluidores indicam que o carro elétrico pode, ao poucos, substituir o carro a combustão interna como meio de locomoção individual e coletivo no dia-a-dia.

Grupo Renault-Nissan e Prefeitura de São Paulo firmam parceria para adoção de veículos elétricos


A Prefeitura de São Paulo e o Grupo Renault-Nissan anunciam parceria para estudar como veículos elétricos podem preservar o meio ambiente e também melhorar a qualidade de vida na capital paulista. O objetivo é identificar as oportunidades e os investimentos necessários para possibilitar o uso de automóveis elétricos na cidade. São Paulo é a primeira cidade na América do Sul a assinar um acordo deste tipo, em iniciativa para minimizar as mudanças climáticas.
O acordo de intenções, assinado entre a Prefeitura de São Paulo e a Aliança Renault-Nissan, inicia a criação de um grupo de trabalho que estudará a viabilidade deste projeto e apresentará ainda uma proposta de ação completa para a criação e o desenvolvimento das medidas como a
introdução de carros elétricos (infraestrutura, recursos e produtos) e envolverá nas discussões empresas, governos e organizações que possam contribuir para o trabalho. Entre os pontos a serem analisados estão a implementação e a manutenção de uma rede de recarga; incentivos para facilitar a adoção de carros elétricos e campanhas educativas sobre as vantagens que os veículos elétricos trazem para a cidade, sua população e o meio ambiente.
"A Prefeitura de São Paulo tem sido incisiva nas ações voltadas para o combate ao aquecimento global. Criamos uma Política Municipal de Mudança do Clima e temos um inventário das emissões de gases de efeito estufa da cidade que tem sido o guia de nossa atuação. O estabelecimento desta parceria é mais um passo no sentido de mitigar as emissões", afirma o Secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge.
"A Aliança Renault-Nissan já firmou parcerias semelhantes com mais de 50 governos, prefeituras e organizações ao redor do mundo. O memorando aponta para o futuro e apresenta uma nova possibilidade para a melhoria do meio ambiente e o conforto da população de São Paulo", afirma Carlos Ghosn, CEO da Allianca Renault-Nissan. A companhia tem investido há décadas no desenvolvimento de veículos 100% elétricos, com emissão zero de poluentes.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Motos de pequena cilindrada poluem mais que carro mil

Vendo um release da Honda em que a fabricante se orgulha de atender com folga o Promot 3, e mostrou uma tabela de emissões, resolvi comparar com carros 1.0. Peguei dois dos mais populares, o problemático Novo Gol 1.0 em nonagésimo com gasolina e centésimo quinquagésimo com álcool no ranking no Programa Nota Verde do Ibama, e o Mille Economy, que figura em exemplar oitavo lugar quando utiliza álcool e décimo-primeiro quando o combustível é gasolina.
Para você ter uma idéia, apesar da moto poluir em alguns itens mais que os carros, em no quesito monóxido de carbono (CO) a moto só emite um terço do índice máximo do Promot 3, em Óxido Nitroso (NOx) menos da metade. Mas comparado com o Gol (veja a tabela abaixo), a moto emite 64,5 % de monóxido de carbono, e quando se compara com o Mille a diferença se torna gritante: 246%. No álcool os números são, em relação a moto, 65% a mais no Gol, mas o Mille é imbatível: 77% a menos. Quando o assunto é Óxido Nitroso, a tabela é favorável aos carros, com emissões a gasolina de 18% a mais que no Gol e de impressionantes 240% no Mille, e no álcool os números continuam exageradamente favoráveis aos quatro-rodas: 410% para o Gol e 240% para o Mille. Na tabela da Honda não foi informado se os hidrocarbonetos são totais ou não-metano, o que inviabiliza qualquer comparação. Mas deixei os números só para constar. Se a CG 150 Titan for a moto que polui menos, nem vou querer ver os números da concorrência (especialmente a chinesa, que não seguem qualquer norma de controle de emissões e talvez passem raspando no Pormot 3) que utilizam mecânicas projetadas nas décadas de 60 e 70, bem defasadas em relação a motores mais modernos. Longe de demonizar as motos, só quis comprovar o que escrevi em outro post (veja aqui), e chamar as motos também para a responsabilidade, já que os carros sozinhos são acusados de serem responsáveis por 90% das emissões de gases estufa. E esses dados importados são aventados por eco-chatos que lêem apostilas de ONG's gringas, sem pesquisar a realidade daqui, como se fossem a mais pura realidade.
Dados da CG Titan Mix fornecidos pela Honda e do Gol e Mille Economy pelo Ibama através do programa Nota Verde (veja aqui)