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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Governo pode diminuir o percentual de álcool da gasolina

Não, você não leu errado. Há álcool sim na gasolina, mas isso não quer dizer que você pode abastecer seu carro com ele. Tem diferença do álcool vendido nas bombas e no álcool adicionado à gasolina. O álccol que é vendido nas bombas é o chamado hidratado, isto é, ele tem água. E o álcool adicionado à gasolina é o anidro, isto é, sem água. O problema dos "kit flex" vendidos por aí é que não são feitas as alterações necessárias para se usar o álcool hidratado que pode corroer os sistemas de alimentação (tanque, mangueiras e bomba de combustível), admissão (injeção, válvulas e sede de válvulas, cabeçote) e exaustão (coletores, silencioso, catalizador e escapamento) causando um enorme prejuízo.
Bem, e o porquê da administração de álcool anidro na gasolina? Antigamente os carros tinham a razão de compressão bem baixa. Um carro fabricado nas décadas de 60 e 70 tinham a razão de compressão entre 6 e 7:1. O que significa esse número? É quantas vezes a mistura ar-combustível é comprimida antes da explosão causada pela faísca da vela. Havia alguns carros como o FNM JK 2000 (que depois daria origem ao Alfa Romeo 2300) que utilizavam a chamada gasolina azul, de alta octanagem que suportavam uma razão de compressão maior. E essa gasolina recebia um componente químico tóxico e com efeito cumulativo no corpo humano chamado chumbo tetraetila. A gasolina comum também recebia esse componente antidetonante, mas aos poucos ele foi banido do Brasil e de alguns países da Europa. E aqui no Brasil a solução foi adicionar álcool anidro para substituir o chumbo tetraetila diminuindo as emissões de alguns outros elementos tóxicos.
O problema é que a quantidade de álcool anidro na gasolina varia, conforme a dança dos preços causados pela sazonalidade da produção da cana de açúcar. A quantidade varia entre 20 a 25%, e daí? E dai que os carros saem regulados da fábrica para trabalhar com um percentual fixo, e o desempenho pode ser prejudicado caso haja um percentual diferente da calibragem original do fabricante.
E esse ano as desculpas dos produtores para não não entregar uma quantidade maior de álcool, apesar de estarem colhendo mais, para o mercado são o "inchamento" do mercado por causa da explosão dos carros "flex", excesso de chuvas que "encharcam" a cana reduzindo o percentual de açucar (chamado de ATR) e que atrasam a colheita. E com isso essa aumento de preço, que atingiu por tabela a gasolina. E para tentar baratear o álcool que já está próximo de deixar de ser vantajoso para o consumidor (multiplique o preço da gasolina por 0,7, se o álcool estiver abaixo disso pode por no tanque, essa continha só vale se você tiver um carro flex), o governo pretende diminuir a quantidade de álcool anidro na gasolina e assim tentar baixar o preço do álcool hidratado ou quem sabe evitar um novo aumento. E quem tem carro a gasolina que se exploda.

sábado, 17 de outubro de 2009

Álcool poderá ser fabricado a partir de biomassa

A Coskata, subsidiária da GM em pesquisa e desenvolvimento na produção de biocombustíveis anuncia uma instalação em fase de testes de um novo processo que converterá biomassa de madeira (leia-se celulose), resíduos agrícolas, lixo doméstico, culturas energéticas sustentáveis e até resíduos de construção.
Segundo a empresa, as instalações utilizam metade da água que seria necessária para produzir a mesma quantidade de gasolina e produzem menos 96% de gases de efeito estufa e o custo é inferior à da produção do combustível fóssil. Não foi informado se nessa redução foi contabilizado o carbono fixado durante o crescimento das plantas.
A tecnologia da Coskata utiliza microorganismos patenteados e projetos de biorreatoroes eficientes em um exclusivo processo de três etapas de conversão que pode transformar praticamente qualquer matéria-prima à base de carbono em etanol, de qualquer lugar do mundo. Além disso, o processo não requer produtos químicos adicionais ou pré-tratamentos, o que serve para racionalizar os custos operacionais. Na verdade, a empresa possui um dos menores custos de produção na indústria, permitindo-lhe competir diretamente com a gasolina sem subsídios do governo a longo prazo.
A instalação produzirá de 227 a 455 milhões de litros de etanol utilizando esse processo, sendo que parte desse combustível foi entregue à GM.
A fase seguinte é o licenciamento da tecnologia para fornecedores e desenvolvedores
A GM já está testando o novo combustível: "Temos investido na Coskata para que possamos permitir a rápida implantação do etanol comercialmente viável e ambientalmente sustentável a nível mundial", disse Bob Babik diretor da GM de controle de emissões, "Estamos orgulhosos de dizer que já recebemos o etanol da Coskata de Milford em nossas instalações".
A GM sozinha já produziu 5 milhões de veículos flex, sendo que 3 milhões e meio rodam só nos EUA e as divisões Chevrolet, Cadillac, Buick e GMC irão produzir 17 modelos em 2010.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Mais considerações sobre o post anterior, mas desta vez focando o Brasil

Agora o mercado nacional. Diz um ditado antigo que de boas intenções o inferno está cheio. Acontece que nós somos emergentes, e a maioria não poderá bancar os custos de adquirir um veículo elétrico ou a célula de combustível. E sem contar os custos de instalação de infraestrutura que se já são caros lá fora, imagine aqui. Como esses veículos apresentarão um custo de manutenção e de abastecimento reduzidos, o que amortizará o alto preço inicial, eles não deverão sofrer nenhuma ou pouca depreciação no preço à semelhança dos veículos à diesel. Além disso teríamos que refazer a carga tributária dos veículos elétricos e movidos a células de combustível que são três vezes superior aos dos veículos a combustão, caso queiramos esse tipo de veículo circulando pelas ruas e estradas brasileiras. Com esse cenário deve-se imaginar os mais abastados "pagando" de "consciente ambiental" enquanto os menos favorecidos receberão a acusação de serem poluidores e que o lugar deles é em um apertado ônibus urbano caindo aos pedaços. Ou que vão pedalando por oito quilômetros da casa até o trabalho, e dificilmente a maioria das empresas tem vestiários para os funcionários. Imagine então como ficará cheiroso o ambiente de trabalho, bem ao estilo hippie que pregava que a sociedade é hipócrita e por isso não tomavam banho.
Além disso, tem as questão energética. Aproximadamente 90% do abastecimento é realizado por hidroétricas, sendo o restante por termoelétricas, parte delas usinas de álcool e açucar que já amortizam boa parte do CO² com a plantação de cana-de-açucar. É extremamente vantajoso ter um carro elétrico porque ao contrário da Europa e EUA não há o ônus de emissão de CO² a cada reabastecimento.
Mas tem a questão do mercado. Não há concorrência. Simplesmente não há como escolher a tomada da companhia A ou B. E estamos no limite da capacidade de fornecimento de energia, o que ironicamente depende de autorização do Ibama para a construção de mais hidroelétricas ou outro tipo de usina.
As chamadas energias alternativas simplesmente não são "sustentáveis". Um painel solar completo custa aproximadamente o preço de um carro do nível e do porte de um C4 Pallas, subsidiado pelo governo alemão. Aqui deverá custar mais caro devido a nossa alta carga tributária e às nossas taxas de juros extratosféricas. E sem contar que um painel solar tem aproximadamente 30% de eficiência energática. A energia eólica custa 30% a mais que uma hidroelétrica e depende do sabor dos ventos. Só em alguns lugares como o Ceará por exemplo é que há uma produção regular devido aos ventos constantes.
Quanto aos geradores baseados em marés, não tenho embasamento nenhum para escrever devido à tecnologia ser extremamente recente e nem tenho dados sobre o nível da eficiência do processo. Quanto à tecnologia à hidrogênio, veja esse post e o link nele aqui.
É um preço muito caro para nós pagarmos. Você está disposto?

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Algas: Nova Fonte de Biocombustíveis?

A Exxon, empresa multinacional do ramo petrolífero anuncia o investimento de 600 milhões na produção de biocombustível a partir de algas. Não se sabe como os histéricos profetas do apocalipse do aquecimento global vão reagir com a notícia, mas é uma boa nova para quem acredita em processos industriais mais sustentáveis. A companhia contratou o cientista americano Craig Venter, considerado um dos idealizadores do mapeamento do genoma humano, e novo biocombustível estará pronto para a produção em escala industrial em cinco ou seis anos. O óleo tem algumas vantagens em relação ao biodiesel comum.
Veja abaixo algumas questões sobre o cultivo de algas para a produção de biocombustível e tire as suas conclusões:

1) Qual é a eficiencia em relação aos outros cultivos?
As algas são 300 vezes mais eficientes que a cana-de-açúcar e 25 vezes que a palma-de-dendê.

2) Onde se pode plantar?
As algas podem ser cultivadas em qualquer lugar e requerem muito menos espaço que os cultivos tradicionais. Podem ser construídos tanques de água em qualquer lugar.

3) Quanto tempo leva para a colheita?
As algas tem um tempo de crescimento récorde, em poucos dias pode-se colher e iniciar outra plantação, o que pode levar meses nos cultivos tradicionais.

4) São um problema para o meio ambiente?
É um dos cultivos que mais respeitam o meio ambiente. Elas fixam CO² para crescer diminuindo a quantidade de gases de efeito estufa responsáveis pelo aquecimento global. E o produto obtido não apresenta susbstâncias tóxicas e é altamente biodegradável.

5) Qual a utilização do combustível obtido?
A alta viscosidade do produto final permite a utilização direta em motores diesel adaptados sem precisar de pós-produção e mistura com álcool ou outro combustível fóssil. O óleo obtido pode ser tratado em qualquer refinaria e vendido em qualquer posto de combustível.

6) Quais são as outras vantagens do cultivo das algas?
As algas resolvem o problema do possível encarecimento dos alimentos, já que não competem com as plantações normais no uso do solo fértil. As algas se cultivam em tanques de água que podem ser instalados em qualquer lugar.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Diesel de Cana

foto: Manoel Oliveira/SXC
Eu vi essa na EPTV e não podia deixar de dar a notícia. O Grupo Santa Elisa através da subsidiária Cristalsev irão investir algo entre 10 e 20 milhões de reais junto com a empresa de biotecnologia Amyris em uma construção em Campinas, interior de São Paulo. Elas irão produzir diesel a partir da fermentação da cana de açucar com leveduras geneticamente modificadas ano que vem. As vantagens em relação ao biodiesel são de que ele pode ser misturado ao diesel comum em até 80% e não se separa em partes como o biodiesel. Tem implicações com o fato de que o biodiesel tradicional era destinado a gerar renda entre famílias que fazem agricultura de subsistência, mas a lentidão desses programas mais a cegueira ideológica (que considera crime produzir energia a partir da terra) tornam a implantaçào mais lenta. E será que ainda mais prejudicado com o possível monopólio das usinas. Mas os caminhoneiros ficarão muito felizes com essa opção.