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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Mais considerações sobre o post anterior, mas desta vez focando o Brasil

Agora o mercado nacional. Diz um ditado antigo que de boas intenções o inferno está cheio. Acontece que nós somos emergentes, e a maioria não poderá bancar os custos de adquirir um veículo elétrico ou a célula de combustível. E sem contar os custos de instalação de infraestrutura que se já são caros lá fora, imagine aqui. Como esses veículos apresentarão um custo de manutenção e de abastecimento reduzidos, o que amortizará o alto preço inicial, eles não deverão sofrer nenhuma ou pouca depreciação no preço à semelhança dos veículos à diesel. Além disso teríamos que refazer a carga tributária dos veículos elétricos e movidos a células de combustível que são três vezes superior aos dos veículos a combustão, caso queiramos esse tipo de veículo circulando pelas ruas e estradas brasileiras. Com esse cenário deve-se imaginar os mais abastados "pagando" de "consciente ambiental" enquanto os menos favorecidos receberão a acusação de serem poluidores e que o lugar deles é em um apertado ônibus urbano caindo aos pedaços. Ou que vão pedalando por oito quilômetros da casa até o trabalho, e dificilmente a maioria das empresas tem vestiários para os funcionários. Imagine então como ficará cheiroso o ambiente de trabalho, bem ao estilo hippie que pregava que a sociedade é hipócrita e por isso não tomavam banho.
Além disso, tem as questão energética. Aproximadamente 90% do abastecimento é realizado por hidroétricas, sendo o restante por termoelétricas, parte delas usinas de álcool e açucar que já amortizam boa parte do CO² com a plantação de cana-de-açucar. É extremamente vantajoso ter um carro elétrico porque ao contrário da Europa e EUA não há o ônus de emissão de CO² a cada reabastecimento.
Mas tem a questão do mercado. Não há concorrência. Simplesmente não há como escolher a tomada da companhia A ou B. E estamos no limite da capacidade de fornecimento de energia, o que ironicamente depende de autorização do Ibama para a construção de mais hidroelétricas ou outro tipo de usina.
As chamadas energias alternativas simplesmente não são "sustentáveis". Um painel solar completo custa aproximadamente o preço de um carro do nível e do porte de um C4 Pallas, subsidiado pelo governo alemão. Aqui deverá custar mais caro devido a nossa alta carga tributária e às nossas taxas de juros extratosféricas. E sem contar que um painel solar tem aproximadamente 30% de eficiência energática. A energia eólica custa 30% a mais que uma hidroelétrica e depende do sabor dos ventos. Só em alguns lugares como o Ceará por exemplo é que há uma produção regular devido aos ventos constantes.
Quanto aos geradores baseados em marés, não tenho embasamento nenhum para escrever devido à tecnologia ser extremamente recente e nem tenho dados sobre o nível da eficiência do processo. Quanto à tecnologia à hidrogênio, veja esse post e o link nele aqui.
É um preço muito caro para nós pagarmos. Você está disposto?

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Diesel de Cana

foto: Manoel Oliveira/SXC
Eu vi essa na EPTV e não podia deixar de dar a notícia. O Grupo Santa Elisa através da subsidiária Cristalsev irão investir algo entre 10 e 20 milhões de reais junto com a empresa de biotecnologia Amyris em uma construção em Campinas, interior de São Paulo. Elas irão produzir diesel a partir da fermentação da cana de açucar com leveduras geneticamente modificadas ano que vem. As vantagens em relação ao biodiesel são de que ele pode ser misturado ao diesel comum em até 80% e não se separa em partes como o biodiesel. Tem implicações com o fato de que o biodiesel tradicional era destinado a gerar renda entre famílias que fazem agricultura de subsistência, mas a lentidão desses programas mais a cegueira ideológica (que considera crime produzir energia a partir da terra) tornam a implantaçào mais lenta. E será que ainda mais prejudicado com o possível monopólio das usinas. Mas os caminhoneiros ficarão muito felizes com essa opção.