Lançado em definitivo no mercado, o aventureiro Citroën AIRCROSS deixa de ser C3 Picasso para se tornar um modelo independente, como a Nissan fez com a Livina X-Gear (veja
aqui). O fato de uma versão se tornar um modelo à parte é às vezes comum, como em alguns carros da Toyota, as versões Bel Air, Impala e Caprice que compartilhavam a mesma plataforma da Chevrolet por exemplo. A fabricante classifica o AIRCROSS como um "autêntico SUV e um Crossover Compacto Premium", sendo que a C3 Picasso não é nem um nem outro mas um monovolume. Para ser um SUV precisa ter vocação para o 4X4 e ter pelo emnos alguma versão com opção 4X4. Quanto aos crossovers como a Journey (compare
aqui) e o Soul (e também
aqui), são utilitários adaptados para para rodar no asfalto como um automóvel.
Virá em três versões: a básica GL que vem de série com ar condicionado, computador de bordo, vidros dianteiros e retrovisores com acionamento elétrico, abertura das portas com acionamento à distância, as barras de teto longitudinais, pára-choque dianteiro e traseiro na cor do veículo, estepe com dispositivo antifurto e aviso de destravamento no painel, bancos traseiros rebatíveis 1/3 e 2/3, porta-malas com travamento elétrico; a intermediária GLX que além dos equipamentos da GL, possui de série rodas de liga leve Buggy, bússola, inclinômetro (horizontal e vertical), vidros traseiros elétricos, faróis de neblina, regulagem de altura do banco do motorista e sistema de som com Rádio/CD mp3 e entrada para iPod e a topo de gama Exclusive que vem com ar condicionado digital, bancos de couro, airbag duplo, Rádio Pioneer for Citroën, ABS + EBD, limitador e regulador de velocidade, volante em couro, rodas de liga leve Buggy, bússola, inclinômetro (horizontal e vertical), vidros traseiros elétricos, faróis de neblina e regulagem de altura do banco do motorista. Opcionais: sensor de estacionamento traseiro, acendimento automático de faróis, sensor de chuva, airbag lateral e sistema de Navegação MyWay.
Apresentado em abril de maneira inusitada, através do Twitter (veja o post
aqui), o veículo pretende agradar o mesmo público da Hoggar (veja também
aqui) cuja campanha publicitária ressaltava que os consumidores desse tipo de veículo não viviam de modo descolado, fazendo esportes radicais e "curtindo" a natureza, mas que queiram parecer que vivem assim.
Então vivemos um joguinho de faz de conta, em que o consumidor almeja um modo de vida que não é dele e que só vê pela TV (a cabo) e os fabricantes fazendo carros que aparentam fazer o que fazem, mas que somente aparentam.
Segundo a Citroën, o interior tem o menor nível de ruído devido ao tratamento acústico da carroceria, para-brisas com camada interne redutora de ruídos e a maior quantidade de material fonoabsorvente. O painel deixa de ser central e digital como a versão européia e ganha mostradores analógicos. O ar não é bi-zona, mas é digital e o sistema de som Pioneer tem o sistema Hifi-Like que com 6 auto-falantes melhora a ambientação espacial.
Painel central em duas versões: Com os instrumentos aventureiros de sempre como bússola e inclinômetros lateral e longitudinal e rádio com com reconhecimento de MP3 à esquerda e o opcional multimídia com tela de 7 polegadas com o GPS My Way integrado no painel com Bluetooth, primazia no mercado nacional. São mais de 1.300 cidades mapeadas Brasil afora com controle no volante.
Os bancos e acabamentos do interior recebem os tons escuros tão apreciados pelos brasileiros, o traseiro não tem o deslocamento de 15 cm do Fox, mas rebate em 40/60% ajudando a ampliar a capacidade do porta malas de 403 para 1500 litros pelo sistema VDA. Mancada é o cinto de três pontos ausente no banco do meio e a retirada do sistema Isofix para fixação de cadeiras infantis presentes no C3 Picasso europeu.
Os vidros elétricos do C3 AIRCROSS "migram" do incômodo lugar no centro do painel para o ideal que é na braçadeira da porta. Manopla do câmbio semelhante ao C3 hatch é muito recuada a ponto de ter reclamações de se encontar o cotovelo no encosto ao se engatar as marchas pares. Os porta-trecos espalhados pelo interior e o segundo retrovisor interno para monitorar os passageiros de trás, sobretudo crianças, não negam a origem de monovolume do modelo.
Os faróis dianteiros seguem a mesma linguagem visual presentes nos C5 e C4, na traseira as lanternas são fumê, mas não recebem LED's. Dequalque AIRCROSS branco ou preto dependendo da cor do veículo é presente em todas as versões. O estepe pendurado na porta traseira obrigou a mudança da placa de licenciamento do centro para a direita, além de ser um incômodo para os carros de capô mais baixo. Estão presentes também luzes e lanternas de neblina.
Elementos em prata fosco como retrovisores e barras do teto que nascem das colunas dos parabrisas dão o ar off-road urbano. O parabrisa tripartido além do tratamento acústico diminuem os pontos cegos ao "afinar" as colunas que cegam do lado esquerdo, problema típico de monovolumes e de carros que apresentam a coluna "A" muito avançada. Sensor de estacionamento e a futurista capa para o estepe é para esconder a feia roda de aço com calota, já que a roda diamantada no estepe só na topo de linha.
De motorização somente a 1.6 que apesar do câmbio de cinco marchas com embreagem hidráulica estar encurtado em uns 15% se esforça para arrastar os mais de 1.300 kg do carro. Tanto que não foi divulgado nenhum número de desempenho e consumo. São 110/113 cv (g/e) de potência @ 5.800 rpm e 14,5/15/8 Kgm/f (g @ 4.000/e @ 4.500). Motor 2.0 e caixa automática por enquanto somente em sonhos, já que Citroën não informou se pretende oferecê-los no futuro.
Os freios sofreram uma involução: os traseiros abandonam aos discos sólidos e retornam para os arcaicos freios a tambor. ABS com EBD e luzes piscantes em frenagens de emergência só na versão de topo. A suspensão dianteira é independente, tipo McPherson, com molas helicoidais, barra estabilizadora e amortecedores pressurizados. Na traseira vem com travessa deformável (barra de torção), com molas helicoidais, amortecedores pressurizados e barra estabilizadora.
A Citroën garante que o seu carro é o "mais verde" com 20 quilos de material "sustentável" ao usar PET e Polipropileno nas partes plásticas internas e esternas, mas os eco-chatos de plantão não consideram couro, disponível só na top, e madeira e Woodstock (serragem com resina), como elementos ecológicos. Só o consumidor típico desse tipo de automóvel aventureiro que se acha mais próximo da "natureza" ao comprar um é que cai em mais desses "contos de marqueteiro".
A garantia é de três anos, com 3 revisões gratuitas programadas a cada 10 mil quilômetros, em condições especiais de lançamento. Mas as peças de desgaste natural ou fluidos que forem trocados serão cobrados à parte. Após isso terá preços de revisão fixos em tabelas afixadas em concessionários da marca com possibilidade de pagamentos em 3 parcelas fixa. A carroceria recebe garantia européia contra corrosão: 12 anos.