"A solução para o transporte urbano no Brasil envolve a maior e massiva utilização do miniônibus e do ônibus para reduzir a poluição ambiental, os congestionamentos e elevar a qualidade de vida dos cidadãos", diz Nelson Gerhke, diretor da Volare em um evento na Festa da Uva no Rio Grande do Sul, onde participava de um evento em que comemorava a nova linguagem visual da marca que consistia basicamente na troca de logotipo, e só. "É preciso a conscientização de todos com relação aos benefícios e vantagens que o ônibus propociona e da participação nesse movimento", conclui. Tudo bonitinho, feito para agradar os eco-chatos de ONG's verdes importadas e urbanistas marxistas-leninistas. Os primeiros nem precisa falar, os urbanistas porque vêem o carro como fonte, se não a única, de problemas e acreditam que com a eliminação do "transporte individual motorizado" as pessoas se conhecerão melhor. Lógico, eles mesmo nem abrem mão de seu próprio carro. Nunca terão de aturar por longos e calorentos 45 minutos o "pancadão", o pagonejo e o rap mal-feito tocado por aquelas cruzas de caixas de abelhas com taquaras rachadas. Nunca terão que aturar algum mal educado que simplesmente abre a janela acima do lugar em que você está sentado em plena chuva torrencial ou pousa uma sacola em cima do livro que você tenta ler.
É muito irritante quando alguns desses sabichões tentam tirar alguns de nossos poucos privilégios como chegar em casa em 15 minutos ou tentar viver com algum conforto. A maioria das propostas de representantes de "movimentos sociais" que representam algumas "minorias" são sempre de taxar, limitar ou proibir. Elas adoram sugestões como pedágios urbanos, maior taxação do uso do carro e mal sabem elas que a maioria das frotas de ônibus urbanos encolheu em número ou tamanho dos veículos. E eu chamo esses tipos de proposta carinhosamente como "socialização da desgraça". Funciona assim: se você ganha um vale-refeição de 100 reais, cobra-se 50% para sustentar algum faminto por aí.
Voltando à campanha da Volare, seis meses atrás o prefeito Gilberto Kassab, embasado na teoria da "socialização da desgraça" teve a brilhante idéia de proibir os ônibus fretados circularem no chamado centro expandido da capital (veja aqui e aqui nos post's dos autoentusiastas Felipe Bitu e Bob Sharp) alegando que eles atrapalhariam o trânsito. Os passageiros teriam que desembarcar em bolsões criados para isso e depois seguiriam para o seu destino em onibus urbanos do sistema de transporte coletivo. Com isso aumenta-se em, no mínimo, 20% o tempo perdido fora o desconforto de ter que viajar em pé apesar de estar pagando um serviço caro e que agora ficaria mais caro com a passagem do ônibus urbano. O resultado é que boa parte dos passageiros voltaram aos automóveis e agora perdem um tempo precioso que poderiam estar fazendo algo útil (veja aqui a proposta da Rinspeed e você entenderá) como adiantar algum serviço para a firma por exemplo.
Outro exemplo de como esse tipo de campanha é inócua foi o número grande de acidentes que se registra em São Paulo envolvendo os clientes da marca, os perueiros. Forçados a abandonar peruas e vans, agora dirigem micro-ônibus legalizados, mas recebem por passageiro. O resultado foi uma seqüência impressionante de acidentes envolvendo micro-ônibus e ônibus que estavam disputando passageiros a tapas.
O que o empresário não fala, ou não sabe, é que transporte público decente tem que ter passagem subsidiada, ônibus e trens confotáveis, pontos realmente fixos (onde moro algumas linhas tem "pontos facultativos" em que os motoristas simplesmente ignoram) e principalmente pontualidade.
Para isso precisa-se de investimento de bilhões e estudos sérios sobre a mobilidade urbana, e não em achismos baseados em ideologias fracassadas e idéias de hipongos saudosistas. Cuba é um ótimo exemplo de como NÃO se fazer transporte coletivo.
