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terça-feira, 1 de junho de 2010

Chery Cielo: Esqueça tudo o que sabemos sobre carros chineses

Foi apresentado semana passada o Chery A3, rebatizado aqui de Cielo graças a um concurso feito pela marca aqui no Brasil. Ponto positivo, já que alguns chineses e coreanos viraram piadas prontas graças aos nomes esdrúxulos de seus produtos.
A outra é que não basta equipar um carro com ABS e EBD (equilíbrio de freios), trocentos air-bags e cintos de três pontos, oferecidos de série no carro, se a carroceria se amassa que nem papel em uma colisão. A carroceria tem zonas de deformação programável e célula de sobrevivência. E ainda teve a primazia de ser a pioneira entre os chineses a passar com louvor no C-Ncap, a versão chinesa do Euro-Ncap que apesar de dever alguns itens de avaliação já é alguma coisa, obtendo 5 estrelas. Mais um ponto positivo.
Outro item que alguns avaliadores mostraram foi que, se o acabamento não chega perto do esmero dos ingleses, também está longe de ser o do Gol bolinha fase 1 que desmanchava só de olhar. Mais um ponto positivo.
O motor é um 1.6 DOHC (duplo comando de válvulas) da Austrian AVL, ao contrário da maioria dos chineses que usa motores Mazda licenciados sem demérito algum para a marca, fornece 119 cv de potência e a fábrica promete máxima de até 170 km/h e o 0-100 é feito em 14 segundos, um pouco alto para a categoria que ele pretende se inserir, mas também culpa do peso excessivo de 1350 quilos no hatche e 1375 no sedã devido aos reforços na carroceria. Nisso não se pode ter tudo. O consumo médio de 8,7 km/l ajudado pelo câmbio de cinco marchas na configuração quase extinta de 4+E (a quinta é overdrive) e a embreagem é hidráulica.
Para finalizar ele oferece mais por menos: “É um modelo com excelente custo-benefício. Já é o nosso carro chefe na China e acredito que devemos ter o mesmo resultado por aqui. Esperamos
comercializar cerca de mil unidades ainda esse ano”, sonha Luis Curi, CEO da Chery no Brasil.
O carro será vendido aqui a partir de R$ 41,900,00 tanto o sedã quanto hatch.
A Chery já planeja uma fábrica no Brasil, oferecer motores flex e acredita que ainda pode crescer: “O Brasil tem destaque nos planos de internacionalização da Chery, que sabe que o mercado nacional permite uma projeção vertiginosa das vendas. Acreditamos que no próximo ano teremos perto de 1% de market share no país”, acrescenta o executivo.
“Os carros japoneses levaram 30 anos para ficar em pé de igualdade com as principais fábricas de automóveis do mundo, os sul coreanos levaram 15 e os chineses, conforme as coisas tem caminhado, alcançarão esse patamar em apenas cinco”, projeta Curi. As quatro grandes que se cuidem...
A carroceria tem zonas de deformação programada o que contribui para o peso excessivo.
O painel integra as funções de relógio, quilometragem, indicador de temperatura externa e consumo instantâneo de combustível, e o multimídia tem entrada para USB e toca CD integrado ao painel. Ainda há alarmes de chave em ignição, porta aberta e alerta de quilometragem para revisão programada
O acabamento é acima da média dos chineses que vieram para cá, vem bem recheado com itens como aviso de colocação do cinto de segurança, radar de marcha à ré, ajuste da posição da coluna de direção, retrovisor elétrico dentre outros.
Os bancos traseiros podem ser rebatido na proporção 40/60 caso precise de mais espaço no porta-malas de 337l no hatch e 395 no sedã.
Os faróis podem não ser ousados, mas são de dupla parábola e contam com "follow-me home" quando permanecem acesos por até 120 segundos reguláveis pelo condutor, uma conveniência em lugares escuros ou mal iluminados. Os piscas ficam abaixo do para-choque ao lado dos faróis de neblina.
Apesar do desenho ser Pininfarina, a terceira luz de freio é algo estranha no hatch, quebrando a harmonia da bonita traseira.
As luzes traseiras são um espetáculo a parte, bem bonitas e deixando a traseira do veículo bem mais leve. O carro conta com sensor de ré por radar.
O desenho foi bem pensado, como as maçanetas das portas traseiras escamotadas na coluna "C", dando a impressão de ser um duas portas. A suspensão dianteira é McPherson e a traseira multilink, com batentes hidráulicos. Tem rodas de 16 polegadas e freios a discos nos dois eixos, sendo os do dianteiro refrigerados.
Inexplicável em um carro mais completo como esse é a ausência do limpador e lavador traseiro, algo que deveria ser imprescindível em hatches, peruas e monovolumes. Detalhe interessante é o escape funcional dos dois lados do carro, lembrando que o motor é um modesto um quatro cilindros.
O sedã ganha lanternas um pouco mais comportadas e uma terceira luz elevada de freio (brake-ligh) mais discreta. Nesse caso, o escape é o tradicional de um só lado mesmo.