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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Alta Roda nº 631 — Fernando Calmon — 31/5/11 - EVOLUÇÃO LENTA


Propaganda é a alma do negócio, diziam os antigos. E, no Brasil, nada explica tão bem a “popularização” das bolsas infláveis (airbags) quanto o filme comercial, de 1999, em que a modelo alemã Claudia Schiffer aparece ao volante em teste de colisão. Ela escapa ilesa do “acidente” e seu lindo rosto, confortavelmente protegido.
Na vida real, as coisas não se passam assim. Sem os cintos de segurança, que respondem pela maior parte da proteção em colisões, os airbags têm sua eficiência reduzida em 70%. Na primeira geração, houve ferimentos graves e até fatais em pessoas de baixa estatura, quando da adoção compulsória nos EUA, nos anos 1980.
A história dos itens de segurança passiva – diminuem consequências dos acidentes – está marcada por esforço técnico e progresso lento. O alemão Walter Linderer (1951) e o americano John Hedrick (1953) obtiveram as primeiras patentes para as bolsas infláveis.
Pesquisas continuaram, enquanto o governo americano não conseguia tornar obrigatório o uso dos cintos. Em decorrência, airbags apresentavam grandes volumes e exigiam velocidades elevadas de enchimento (até 200 km/h). Utilizava-se ar comprimido sob enorme pressão. O Oldsmobile Toronado teve a primazia de oferecer essa opção, só para motorista, em 1973.
Na Europa, onde a resistência ao uso dos cintos de segurança era bem menor, os estudos se centraram em bolsas de dimensões menores. A Mercedes-Benz lançou no Salão do Automóvel de Genebra, em março de 1981, o primeiro automóvel de série com o que seria o sistema de proteção passiva realmente de grande eficiência, como conhecemos hoje. Há 30 anos o custo era elevado e ainda opcional no Classe S, modelo topo de linha da marca.
O segredo estava na combinação do airbag (no início apenas um, para o motorista) e cintos de segurança retráteis (em ambos os bancos dianteiros), acionados por cargas pirotécnicas de atuação segura. Sensores de colisão disparavam uma reação química, ruidosa de fato, contudo menos agressiva.
Ao subtrair a folga natural das fitas se permitia o posicionamento correto do torso, além de transferir aos cintos a maior parte da energia cinética gerada pela colisão. Três anos depois, os do tipo retrátil de acionamento pirotécnico já eram oferecidos de série em todos os Mercedes.
No mesmo ano de 1984, o Porsche 944 Turbo tornou-se o primeiro automóvel de produção seriada a oferecer duas bolsas frontais como equipamento padrão. A partir de 1992, airbag para o motorista equipava todos os carros que saíam da linha de montagem da Mercedes e, em 1994, também para o ocupante do banco dianteiro. No ano seguinte, limitadores de esforço dos cintos estavam disponíveis.
Hoje, os automóveis utilizam até nove airbags. Há estudos para bolsas no capô (proteção a pedestres) e sob o chassi (para diminuir distância de frenagem por atrito ao solo). A Ford oferece, no banco traseiro do Explorer, cinto de segurança com bolsa inflável embutida.
No Brasil, a partir de 1º de janeiro de 2013, todos os automóveis com projetos novos terão airbags frontais (os de projeto antigo em 2014 ou param de ser vendidos). Mas, lamentavelmente, nada se fala sobre cintos com pré-tensionadores aliados a limitadores de esforço.

RODA VIVA

ENTRE os planos estratégicos da PSA Peugeot Citroën na América do Sul está a produção de uma nova família de motores. A novidade é a inclusão também de versões de 1.000 cm³, pois as duas marcas não oferecem essa possibilidade em nenhum de seus compactos. O grupo francês ainda vai decidir se Brasil ou Argentina receberá o investimento.
DIRIGIBILIDADE e amplo espaço interno são destaques do C3 Picasso (R$ 47.990 a R$ 60.400). Em relação ao C3 Aircross de visual aventureiro tem altura de rodagem normal. Sem penduricalhos ficou 45 kg mais leve, o que, aliado aos pneus de menor diâmetro, melhorou a agilidade mesmo sem alterações no motor de 1,6 l/113 cv. Controle de GPS (opcional) é no volante.
NOVO Passat (R$ 106.700 a R$ 118.760) ressalta estilo marcante e sóbrio. Motor turbo 2-litros gera agora 211 cv, referência entre médios-grandes. Traz mais nove itens de série e acabamento de primeiro nível. Novas opções: assistente de estacionamento em vagas longitudinais e transversais, detector de fadiga do motorista e sistema anticolisão de última geração.
MAIS largo e mais baixo, Touareg novo mostra relevantes evoluções técnicas e linhas suavizadas. Os 208 kg a menos de massa e aerodinâmica melhorada refletem em melhor desempenho e menor consumo. Dependendo da versão, a VW adicionou de 17 a 19 itens de série. Com motor V-6 vai de R$ 220.900 a R$ 252.425; o V-8, de R$ 267.990 a R$ 299.915.
FIAT não se contentará em adquirir 51% das ações da Chrysler antes do final do ano (acaba de chegar a 46% de participação). Intenção do executivo principal, Sergio Marchionne, é abrir o capital da empresa americana em bolsa de valores e, dependendo da situação futura (da própria Fiat...) ter até 76% de participação.
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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Alta Roda nº 630 — Fernando Calmon — 24/5/11: ESTRADAS PEDEM SOCORRO

Caros Leitores,

A partir dessa semana o Blog do Play terá a honra de publicar a coluna semanal Alta Roda do colunista Fernando Calmon, um dos maiores especialistas do meio automotivo. Aproveitem:
Foto: Thomaz Scalquo Cia/SXC.hu
Sempre há críticas de que o Brasil se tornou um país rodoviarista e que deveria valorizar trens e navios (cabotagem) para transporte a grandes distâncias. De fato, pelas dimensões continentais do País a malha ferroviária e o modal marítimo poderiam estar bem mais desenvolvidos. Hoje cerca de 70% das mercadorias são transportadas por caminhões, mas este não é um cenário muito diferente da Europa e também dos EUA. Se considerado o valor da carga, os caminhões americanos respondem por algo em torno de 60% do transporte de bens. Lá se vende um milhão de unidades por ano, seis vezes acima do comercializado aqui.
No entanto, há uma diferença fundamental: a qualidade das estradas. Nisso estamos incomparavelmente atrasados em relação a países com grau semelhante de estágio econômico ou mesmo abaixo. Dessa forma, à exceção das ótimas autoestradas no Estado de São Paulo, que pouco ou nada devem às melhores do mundo, viajar de carro no Brasil ainda significa estar sujeito a um nível de risco intolerável.
O problema se agrava além de erros de projeto, qualidade da pavimentação e falta crônica de um programa mínimo de conservação, inclusive da sinalização horizontal e vertical. Grande parte das rodovias é de pistas simples, o que agrava a insegurança do tráfego, considerando o número de veículos pesados dividindo a mesma via com automóveis e outros veículos leves.
Em recente audiência na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados, em Brasília, o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, afirmou que para “modernizar totalmente os 56 mil quilômetros de rodovias [federais] brasileiras, são necessários R$ 30 bilhões de reais anuais durante oito anos”. O orçamento anual do Dnit é de somente R$ 10,3 bilhões.
Não ficou claro se essa “modernização” significa duplicar estradas com tráfego saturado e aumentar a segurança. Por esse descompasso entre orçamento e necessidades de verbas já dá para desconfiar que estradas novas, nem pensar. O Brasil possui cerca de 150.000 quilômetros de rodovias pavimentadas, incluídas as estaduais e municipais. Uma malha ridícula para a superfície de 8,5 milhões de quilômetros quadrados do País, mesmo desconsiderando áreas de florestas e rios.
Pagot apontou, com razão, as dificuldades no licenciamento de obras. “Uma caverna aqui, uma aldeia indígena ali, terras de quilombolas acolá e as licenças não saem”, queixou-se. Mas a lentidão do Dnit e seu planejamento falho não podem ser esquecidos. Rodovias pedagiadas em maior número, apenas para manutenção e sinalização, há muito já deveriam estar licitadas. O departamento parece se agarrar às benesses políticas, sobrepondo-as à eficiência administrativa.
Juntamente a essa atrapalhação rodoviária vem o projeto do trem de alta velocidade na rota Campinas – São Paulo – Rio de Janeiro. Ao custo estimado espantoso de R$ 35 bilhões no mínimo, com traçado difícil e perfil topográfico inadequado, pouco vai colaborar para que mais pessoas tenham o mínimo de segurança ao se deslocar. E caminhões continuarão, por falta de opção, se apertando em meio aos carros nas estradas.

RODA VIVA

DISCURSO da Abeiva (associação de importadores) mudou quanto às licenças prévias. Entidade lembra que o setor já conviveu com administração de guias de importação até 2001 e que o governo precisa de informações sobre origem e preço dos veículos. Não devem faltar veículos nas concessionárias, porém estoque baixo costuma pressionar preços para cima.
RETOQUES externos rejuvenesceram o Mercedes-Benz Classe C. Quadro de instrumentos recebeu sistema de alerta contra sonolência e melhor resolução. Suspensão firme, sem causar desconforto. Ponto alto do modelo (R$ 116.900,00 a R$ 191.900) é o motor turbo 1,8 litro, 156 cv a 204 cv, em conjunto com o novo câmbio automático de sete marchas.
SEDÃ compacto JAC Turin fica em patamar acima de outros chineses quanto à qualidade percebida, no uso do dia a dia. Há falhas ergonômicas: volante um pouco enviesado, comandos dos vidros elétricos mal posicionados e destravamento elétrico nos superados pinos de porta. Boa potência (108 cv) e suspensões bem acertadas. Destaque: porta-malas de 490 litros.
RANGE ROVER Vogue agora oferece motor diesel V8, de 4,4 litros, 313 cavalos e mais R$ 5.000,00 no preço sugerido (R$ 421.000). Esse utilitário esporte 4x4 inglês pesa nada menos que 2.580 kg, mas o torque brutal de 71 kgf•m e o câmbio automático de oito marchas lhe permitem acelerar de 0 a 100 km/h em 7,8 s. Não é refinado para dirigir, porém bem civilizado.
CONTA mais fácil para saber se o etanol está competitivo no custo/km: multiplicar o preço da gasolina por 7 e dividir por 10. Preço do etanol deve ser menor que o resultado obtido. Em geral pode se executar o cálculo mentalmente. Dividir o preço do etanol pelo da gasolina só na ponta do lápis, com calculadora ou com conversor do tipo Flexcalc.
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fernando@calmon.jor.br e www.twitter.com/fernandocalmon